
O ADVENTO E O NATAL
Iniciámos no último Domingo de Novembro o “ Tempo do Advento”, ou seja, o período de preparação para a celebração do “ Natal de Jesus”. Assim para que esta preparação seja proveitosa e consciente é importantíssimo que reflictamos sobre o verdadeiro sentido de tudo o que tradicionalmente fazemos, mas nem sempre sabemos porquê. Então vejamos:
O ano civil começa a 1 de Janeiro, mas a liturgia segue um outro calendário e inicia o ano com o primeiro Domingo do Advento. Tem toda a lógica que os acontecimentos da vida de uma importante personagem, especialmente como é o caso de Jesus, nos seja apresentado a partir da preparação e do seu nascimento. Mas isto não foi assim desde o início da Igreja. No primeiro século, os cristãos não tinham outras festas para além da celebração, no primeiro dia da semana, da Ressurreição do Senhor, ou seja, a celebração da Eucaristia, tal como Jesus havia feito e ordenará que os seus seguidores o fizessem, em” Sua” memória.
No primeiro dia da semana, que até à época do Imperador Constantino, era chamado o “Dia do Sol”, era o dia em que os cristãos se reuniam para escutar a palavra de Deus, para celebrar a Eucaristia, que nos primeiros tempos era uma refeição feita em comum, em espírito de fraternidade. Depois todos voltavam às suas casas, despedindo-se até ao Domingo seguinte.
Pouco tempo passou até que a Igreja sentisse necessidade de dedicar um dia por ano à comemoração dos acontecimentos culminantes da vida de Jesus e, por este motivo instituiu a Páscoa. A meados do Século II esta festa encontrava-se diflrndida entre as comunidades cristãs. Mas sentiram que um só dia para celebrar a Ressurreição de Jesus, era pouco, e então pensou-se em prolongar a alegria desta festa por sete semanas, os 50 dias do Pentecostes.
A festa do Natal entrou no calendário cristão muito mais tarde, Sendo estabelecido no Ano 354 a data de 25 de Dezembro para recordar o nascimento de Jesus. Evidentemente não foi encontrado nenhum registo, com o dia e o ano do nascimento de Jesus. A escolha desta data deriva do facto que nessa mesma data era celebrada em Roma a festa do Solstício do Inverno e esta era uma festa de grande alegria, porque o Sol recomeçava a resplandecer e por isso se celebrava a festa ao Deus Sol.
Era habitual para a Igreja dos primeiros séculos reinterpretar, mais do que reprimir, os ritos e as cerimónias pagãs. Foi assim que os cristãos, em vez de combaterem a libertinagem dos Saturnais (adoradores do Sol), mudaram o nome e o significado da festa do Sol Invicto, para o Natal de Jesus, pois diziam: Jesus é o Sol que “veio do alto, para iluminar os que se encontram na escuridão e na sombra da morte “ (Lc. 1, 79): ‘Ele “a luz verdadeira que ilumina cada homem” (Jo. 1,9) e a” estrela brilhante da manhã” (Ap. 22,16).
Por volta do Ano 600 os cristãos consideraram que a festa do Natal deveria ser precedida por um tempo especial de preparação. Surgiram então os Domingos do Advento e decidiu-se que o ano litúrgico iniciasse com o primeiro destes Domingos.

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